Hablando Portunhol
28 28UTC Fevereiro 28UTC 2009, 19:04
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A espera no Orly foi maior e pior do que eu esperava. A tensão se ia dar merda com a bagagem estava me matando. Finalmente chegou a hora do check-in, e adivinhem: deu merda com a bagagem. Eu tinha a informação de que eu podia despachar 1 mala de 23kg e ter uma bagagem de mão de 10kg. Perguntei para uma funcionária da Ibéria num espanhol bizonho se além da bagagem de mão eu podia levar a mochila do notebook. Ela disse que sim, mas eu fiquei na dúvida se ela entendeu a pergunta. Na hora de despachar, a mulher pesou minha mala de mão e tinha 13kg. E ela viu minha mochila e disse que eu só podia ter 1 bagagem de mão. Eu perguntei o que eu devia fazer. Ela então disse as palavras mais bonitas da língua inglesa: You can take 2 bags with 23kg. Ufa! Despachei as 2 e voei na boa só com a mochila em mãos.

Na minha frente na área da segurança tinha um cara que só podia ter um pedaço do corpo metálico, já que passou 10x no detector de metal e sempre apitava. Depois de muito tempo, passei na boa e fui esperar mais 3h pelo voo, já que atrasou 1h.

Voei, mas foi o pior voo que já fiz, em termos emocionais meus. Podem pensar o que quiser, mas a saudade da Lu e da minha familia tá pegando forte. Em alguns momentos, tive pequenos lapsos de depressão. Durante o tour do Contiki estava mais sob controle, já que eu não estava sozinho e já me sentia cercado por amigos. Agora estou sozinho e bateu uma deprê. Que acalmou quando aterrisei.

A vinda para o hotel era pra ser fácil. Pegar o Aerobus até a Playa Catalunya, depois o metrô atá Liceu e andar até o hotel. O problema foi fazer isso com uma dor nas costas que já está me assustando muito, sem contar nos mais de 40kg de bagagem, sendo que só 23 tem rodinhas. Bom, saí do metrô atrás do hotel. E cadê a porra da rua? Perguntei a um taxista que me disse serem 5 ruas abaixo de onde eu tava. Andei, andei, andei, andei e nunca achava. Cheguei numa avenida enorme e pensei: devo ter passado. Voltei, voltei, voltei, voltei, até que não aguentei mais. Meus braços já não seguravam as malas e minhas costas já estavam me matando. Peguei um taxi. Mandei o cara ir até a rua Ferran, a do hotel. O cara andou 15m e estávamos lá. €5 no lixo, mas estava lá.

Cheguei no hotel, que agora percebo, é superbem localizado. O quarto é pequeno, mas como estou sozinho não tem problema. Larguei tudo, tomei um banho, deitei uma meia hora e fui andar. Desci até a Rambla e caminhei até a Rambla del Mar, que é uma ponte linda com piso em madeira, que se estende até um shopping muito afudê. Cheguei ali bem na hora do por-do-sol, que apagou todo o sofrimento que foi chegar até essa cidade linda. O por-do-sol na ponte decretou: sim, estou em Barcelona.

Fiquei ali até o inicio da noite, comprei um cartão de telefone, levei um tempo pra entender como funcionava e depois liguei pra Lu, finalmente, o que aliviou a deprê acumulada. Fui pro quarto e assisti Be Kind Rewind no notebook pra dormir. Fim do dia 1.


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